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Pollock 3 dobras — quando usar e como medir

8 min de leituraAtualizado em 24 de setembro de 2026Plano Pro

As equações de Jackson & Pollock (1978) e Jackson, Pollock & Ward (1980): as 3 dobras de cada sexo, técnica com adipômetro, conversão de Siri e limitações.

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O Pollock 3 estima a densidade corporal a partir da soma de três dobras cutâneas e da idade, e converte essa densidade em percentual de gordura. As equações foram construídas comparando dobras com a pesagem hidrostática, o método de referência da época, em adultos norte-americanos. Os três pontos mudam conforme o sexo — é a principal diferença prática em relação ao Pollock 7, que usa os mesmos sete pontos para todo mundo.

De onde vêm as equações

  • Homens — Jackson e Pollock (1978), British Journal of Nutrition: 308 homens de 18 a 61 anos, com validação cruzada em outros 95. As equações tiveram correlação múltipla acima de 0,90 e erro-padrão em torno de 0,0073 g/ml na densidade.
  • Mulheres — Jackson, Pollock e Ward (1980), Medicine & Science in Sports & Exercise: 249 mulheres de 18 a 55 anos. Entre as versões de 3, 4 e 7 dobras, a correlação ficou entre 0,842 e 0,867 e o erro-padrão entre 3,6 e 3,8 pontos de percentual de gordura. Na validação cruzada, em outras 82 mulheres, o erro-padrão ficou entre 3,7 e 4,0 pontos.
  • Conversão — Siri (1961): % gordura = (4,95 ÷ densidade − 4,50) × 100. A fórmula parte do pressuposto de que a massa livre de gordura tem densidade constante.

As equações que o Treinei aplica, com Σ sendo a soma das três dobras em milímetros e a idade em anos: homens, densidade = 1,10938 − 0,0008267 × Σ + 0,0000016 × Σ² − 0,0002574 × idade; mulheres, densidade = 1,0994921 − 0,0009929 × Σ + 0,0000023 × Σ² − 0,0001392 × idade. Da densidade saem o % de gordura (Siri), a massa gorda (peso × % gordura) e a massa magra (peso − massa gorda). A avaliação também guarda a soma das dobras e o IMC.

Os três pontos de cada sexo

Homens: peitoral, abdominal e coxa. As descrições seguem as diretrizes do ACSM.

Peitoral (homens) — dobra diagonal, na metade da distância entre a linha axilar anterior e o mamilo.
Abdominal — dobra vertical, 2 cm à direita do umbigo.
Coxa — dobra vertical na linha média anterior, a meio caminho entre a prega inguinal e a borda superior da patela.

Mulheres: tríceps, suprailíaca e coxa (a coxa é medida no mesmo ponto descrito acima).

Tríceps — dobra vertical na linha média posterior do braço, a meio caminho entre acrômio e olécrano, com o braço solto ao lado do corpo.

Técnica de medida com adipômetro

  1. Posicione o aluno e marque os pontos

    Aluno em pé, relaxado, e todas as medidas do lado direito do corpo. Marque os três pontos com lápis dermográfico antes de começar, usando fita métrica para achar os pontos médios.

  2. Destaque a dobra

    Pince pele e gordura subcutânea entre polegar e indicador, separando-as do músculo. A dobra segue a direção do ponto: vertical no abdômen, na coxa e no tríceps; diagonal no peitoral e na suprailíaca.

  3. Aplique o adipômetro

    Hastes perpendiculares à dobra, cerca de 1 cm ao lado dos dedos, a meio caminho entre a crista e a base da dobra. Mantenha os dedos pinçando enquanto lê.

  4. Leia no tempo certo

    Faça a leitura 1 a 2 segundos depois de soltar as hastes. Esperar mais deixa a mola comprimir o tecido e subestima a dobra.

  5. Repita em rodízio

    Meça os três pontos em sequência e volte para uma segunda volta, em vez de repetir o mesmo ponto em seguida. Se as duas leituras de um ponto diferirem mais de 1 a 2 mm, faça uma terceira. Registre a média.

Registrando no Treinei

  1. Confira o cadastro do aluno

    A equação usa o sexo e a idade do perfil, calculada pela data de nascimento. Com sexo "Outro" ou "Prefiro não dizer", o Pollock 3 não calcula e a avaliação volta com "Sexo é obrigatório.".

  2. Abra Avaliações → Nova avaliação → Pollock 3 dobras

    Informe peso e altura. A altura vem preenchida com o valor da última avaliação, com um atalho para atualizar.

  3. Preencha as dobras do sexo do aluno

    O formulário mostra só as três dobras do sexo cadastrado no perfil do aluno. Só quando o cadastro não tem sexo definido é que aparecem as cinco dobras possíveis — mas aí o Pollock 3 não calcula (veja o primeiro passo).

  4. Salve e confira o resultado

    Ao salvar, a avaliação mostra % de gordura, massa gorda, massa magra, a soma das dobras (Σ Dobras) e a classificação por sexo e idade.

Pollock 3, Pollock 7 ou Guedes?

  • Pollock 3 — três pontos que mudam com o sexo e a avaliação mais rápida das três. Faz sentido no acompanhamento de rotina de adultos na faixa de idade dos estudos originais.
  • Pollock 7 — sai dos mesmos estudos de 1978 e 1980, mas soma sete regiões iguais para homens e mulheres. Nos artigos originais, as versões de 3 e de 7 dobras tiveram correlações próximas; na prática, somar mais regiões dilui o peso de uma leitura mal pinçada, ao custo de mais tempo com o aluno.
  • Guedes — equação publicada em 1985, desenvolvida a partir de uma amostra brasileira, com outro conjunto de pontos. Os detalhes estão no artigo próprio do protocolo.
  • Seja qual for a escolha, mantenha o mesmo protocolo, o mesmo adipômetro e, se possível, o mesmo avaliador ao longo do acompanhamento. Percentuais de protocolos diferentes não são comparáveis entre si.

Limitações que você precisa conhecer

  • Faixa etária — as amostras foram de 18 a 61 anos (homens) e 18 a 55 anos (mulheres). O Treinei calcula para qualquer idade informada, mas fora dessas faixas o resultado é extrapolação. Nas mulheres, os próprios autores recomendam cautela acima dos 40 anos, mesmo dentro da faixa estudada: trate o percentual como estimativa e acompanhe a soma das dobras. A classificação por faixa não aparece para menores de 18 anos.
  • Conversão de Siri — ela supõe densidade da massa livre de gordura constante. Para crianças, idosos e alguns grupos étnicos existem fórmulas de conversão próprias, reunidas por Heyward e Wagner (2004); o Treinei aplica Siri em todos os casos.
  • Dobras muito espessas — em pessoas com muita gordura subcutânea a dobra é difícil de pinçar e pode passar da abertura do adipômetro. Nesses casos, circunferências ou bioimpedância costumam ser mais práticas.
  • Equipamento e avaliador — adipômetros científicos (como Harpenden, Lange ou Cescorf) mantêm pressão constante nas hastes; modelos plásticos variam mais. O erro de quem mede costuma pesar mais que a diferença entre equações.
  • Gestantes — o protocolo não se aplica durante a gestação.

Perguntas frequentes

Posso usar o Pollock 3 em alunos com mais de 60 anos?

Dá para calcular, mas com cautela: a amostra masculina ia até 61 anos e a feminina até 55 — e, para mulheres, os autores já pedem cautela a partir dos 40. Acima dessas idades, acompanhe principalmente a soma das dobras, que não depende da equação, e trate o percentual como estimativa.

Por que às vezes o formulário mostra cinco dobras se o protocolo usa três?

Porque os três pontos dependem do sexo: peitoral e abdominal são dos homens, tríceps e suprailíaca das mulheres, e a coxa é comum aos dois. Com sexo cadastrado no perfil do aluno, o formulário mostra só as três daquele sexo; as cinco só aparecem juntas quando o cadastro não tem sexo definido — e nesse caso o Pollock 3 não calcula até você completar o cadastro.

Posso comparar um Pollock 3 com um Pollock 7 do mesmo aluno?

Não diretamente. Cada protocolo tem sua própria equação, e a diferença entre eles pode ser maior que a mudança real do aluno. Na tela de evolução, filtre pelo protocolo usado para comparar avaliação com avaliação.

Vale acompanhar a soma das dobras em vez do percentual de gordura?

Vale, e é uma boa prática: a soma (Σ Dobras) é a medida bruta, sem as suposições da equação e da conversão de Siri. Se a soma cai com o peso estável, o aluno perdeu gordura subcutânea nesses pontos — independentemente do percentual estimado.

O que fazer se o sexo do aluno estiver como "Outro" ou "Prefiro não dizer"?

As equações do Pollock foram ajustadas separadamente para homens e mulheres, então sem um desses dois valores não há cálculo. Converse com o aluno sobre qual equação usar ou prefira um protocolo que não depende do sexo, como IMC + Circunferências.

Referências

  • Jackson AS, Pollock ML. Generalized equations for predicting body density of men. British Journal of Nutrition. 1978;40(3):497-504.
  • Jackson AS, Pollock ML, Ward A. Generalized equations for predicting body density of women. Medicine & Science in Sports & Exercise. 1980;12(3):175-181.
  • Siri WE. Body composition from fluid spaces and density: analysis of methods. In: Brozek J, Henschel A (orgs.). Techniques for Measuring Body Composition. Washington, DC: National Academy of Sciences; 1961. p. 223-244.
  • Jackson AS, Pollock ML. Practical assessment of body composition. The Physician and Sportsmedicine. 1985;13:76-90.
  • American College of Sports Medicine. ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription. 6ª ed. Baltimore: Lippincott Williams & Wilkins; 2000 (descrição padronizada dos pontos e procedimento de dobras cutâneas).
  • Heyward VH, Wagner DR. Applied Body Composition Assessment. 2ª ed. Champaign, IL: Human Kinetics; 2004.

Para conferir uma conta sem abrir o perfil do aluno, a calculadora pública de dobras cutâneas do Treinei faz o mesmo cálculo do Pollock 3 e mantém as medidas só no seu dispositivo.

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